quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Minha Alma


Desejo a morte bem antes de ela chegar,
Tudo gira, mas absolutamente nada sai do lugar.
Meu coração sangra. Uma tortura doce e lenta.
Derrame a realidade em cima de mim.

As feridas não querem cicatrizar.
E nesta terrível escuridão, eu infelizmente me reconheço.
Qual a vantagem de ficar serio o tempo todo?
Qual a vantagem de fingir que está tudo bem?

Você não chorará minha ausência, não se importe
Eu não sou nada, deixe-me ir.
Você entenderá.

Mate-me se for possível. Minha pequena alma agradecerá.
Mostre-lhe seu céu e seu inferno. Ela parará de sangrar.
Então mostre com todo o amor.

Ela está fria, é um anjo caído que nada vê e que nada sente.
E se apronta para ir embora.
Acredite. Ela não olhará para trás.

A minha alma é amiga da dor,
A dor que destrói e que nunca vai embora.
Discretamente ela chega discretamente ela fica.

Minha alma pede-lhe socorro, tire-a daqui.
Ame-a com todas as forças, aproveite, faça-a viver.
Quando acabar, mate-a sem dó.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O abismo


Na escuridão extrema,
Nada para se ver, nada para se ouvir,
Nada para se concluir.
Apenas uma escuridão eterna e um abismo triste.

Um abismo flutuante, que predomina sob a escuridão,
Lá o tempo não passa, é parado, o tempo já não existe.
O mar é feito de lagrimas de tristeza, derramadas de olhos inocentes.
A terra é vermelha, é o sangue de pessoas inocentes.

Arvores morrendo, se lamentam, elas sentem, elas choram.
Não posso ficar ao lado delas.
O céu é escuro, nada além da escuridão,
Estrelas caem, a Lua, coitadinha, Chora.

No lugar escuro, chamado abismo.
O que sou?
O que pode definir-me?

Eu sou aquela que em baixo da terra sangrenta mora.
Eu sou aquela que chora sem saber por quê.
Eu sou aquela que carrega um tumulo, pois a vida não viveu.

Eu finalmente sou aquela que não caminha e chora.
Sou aquela que sente, na terra sangrenta, tudo que passou.
Tudo em um lugar chamado abismo, escuro, uma noite fria e linda.
Eu sou aquela que se chama Morte.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Lembranças

A obsessão pelo passado, momentos que com o tempo jamais voltam. E chorava amargamente, fazendo ali um rio de lágrimas. Parado na grama do jardim, olhando para o céu nublado e sem vida. Não estava louco. Mas apenas lembrando.
Fechava os olhos sentindo o momento, respirava profundamente. Sofria. A saudade era imensa e seu momento era de dor, lembrava de seus amigos. Amigos, aqueles que com o tempo foram perdidos. Não tinha como se refugiar do seu próprio passado. Certas lembranças traziam mágoa, machucavam sua alma. E seus olhos sonolentos procuravam e procuravam, mas nunca souberam o que procurar. Pensava, algum tempo atrás, poderia ser para sempre, percebeu que estava enganado e tudo se acaba.
Curtos passos sob o pequeno jardim, qualquer cheiro, toque ou presença, temia.
Lindas lembranças, mas o faziam sofrer, pois não podia vivenciá-las. Apenas lembrar. Novamente os olhos enchiam-se de lágrimas cheias de dor e sofrimento. A alegria e a tristeza permaneciam juntas, e sorria como uma criança, vivendo a infância, perto de amigos que jamais esquecerá, quando lhe desceu a noção, abriu os olhos e viu que nada mudou.
Lembrava dos lugares, onde tinham os amigos reunidos, as graças, os vexames, os sorrisos. Estava sentindo a felicidade, mas com lágrimas nos olhos, olhava as cartas recebidas. Já não havia o que fazer. Por um momento agarrou o sofrimento, seu passado, as lágrimas. Por um momento pôde sobrevoar o passado, pôde se distanciar da cruel e verdadeira realidade. Mas o tempo é curto, infelizmente teve que voltar, e triste.
Abriu os olhos, limpou as lágrimas e seguiu sem deixar nada para trás.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A cura


-Talvez a cura.
-Mas que cura?
-A cura que te ajuda a seguir.
-E pra que seguir? Estou bem como estou.
- Achas que estás bem, mas não, só estás morrendo por dentro.
-Por que achas isso?
-Porque apenas aparenta ser feliz. Sorrisos aparentes. Nada de felicidade.
-Aff, claro que não, estou bem. Tenho meus amigos. Tenho alguém para amar, deixe-me viver em paz.
-Não posso te deixar. Sou talvez o teu anjo, o anjo que te deixa consciente, sou talvez a visão que sonhastes, mas nunca me encontrou. Teus amigos são poucos, aqueles que fazem tudo, queres longe, alguém que amas, não vale a pena. Assim, nunca viverás em paz.
-Quando me ajudastes?
-Nunca te ajudei. Nunca deixastes eu ajudar.
-E se eu deixar... Um dia?
- Muita coisa irá mudar, deixará aquela garota de olhos lindos, ir embora, o sentimento irá embora, gostas de ser melancólica, e entendo isso.
-Como posso te deixar me ajudar?
-Com um tempo aprenderás coisas da vida, e ai, estarei lá, apenas para te ajudar. Estás enganando o tempo, vivendo com o passado na porta do presente. Bote na sua consciência, que daqui pra frente siga o seu caminho, seja feliz. Chore, grite. Até passar.
-Não é tão fácil.
-Eu não disse que era fácil, assim estás aprendendo com a vida, e estou aqui. Mas com o tempo talvez me esqueças, talvez penses que já não estou aqui. Mas lembre-se eu sou aquele que se põe na sua consciência, mande tudo para o alto, esqueça, viva em paz, não viva com o passado, o passado é apenas um refúgio, o passado é o que nunca existiu.
-Como assim.. nunca existiu?
-Apenas ilusões, apenas olhares perdidos, olhares que nunca existiram, olhares que valeram para um coração desesperado de amor.
-Talvez eu caia na profunda e imensa realidade, não quero mais viver do passado, não quero pensar no futuro. Eu quero ser feliz. Eu tenho tudo pra ser feliz?
- Não.
-O que falta pra minha felicidade?
- Tudo.
-Tudo? Não é apenas mandar tudo se danar e pronto?
-Não. Se mandar tudo se danar, vais acabar pensando um dia e começarás a se queimar por dentro. Pense, em tudo, abrace o sofrimento, viva ele, e até cair um rio de lagrimas, e pensarás, o por que estás vivendo assim.
-Queres que eu sofra?
-Sim, um pouco, pois sei que gostas de um leve sofrimento em si. Pensas que tudo é bom.Tu és diferente, no fundo és feliz, mas assim como és, não como os outros querem.
-Pensarei, obrigada. Mas, uma pergunta. Quem és?
- Eu sou a tua cura.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Noite silenciosa


Na noite, olha as estrelas. Elas apenas observam. E ele como se nunca as tivesse visto, apreciava. Voltara agora de um mundo tão distante, seu próprio mundo. Seus olhos, sem expressão alguma, refletiam o brilho da lua e das estrelas. Estava triste. Não sabia o porquê. Suas lágrimas escorriam como se fossem uma longa despedida.
Passara tanto tempo dentro de um cubículo. Por muitas noites dançava na escuridão, mas aquela noite era diferente de todas. Não dançava mais, não escutava nada mais, apenas o vento batendo nas folhas. Pensava no ultimo abraço, boas lembranças acompanhadas de sofrimentos contidos. E o tempo passava...
Ali, um mortal parado na frente de uma janela apreciando o brilho da lua e suas companheiras. Por um momento pensava que era um ser que nada sentia. Foi feliz um dia, agora, um espaço vazio. Algo cobria sua cabeça e seu coração impedindo-o de amar. Não se arrependia de nada, mas se arrependia de tudo que deixou de fazer.
Aos poucos o sol ia aparecendo e seus olhos iam fechando.
Dormiu por pouco tempo, mas teve um sonho. O sonho de sua vida inteira, as felicidades, as tristezas, os sorrisos, as lágrimas, os únicos que o fizeram sorrir, o amor, o primeiro, único e ultimo amor. Abriu os olhos, viu as flores deixadas, as imagens. Suspirou e soltou uma única lagrima. Deixou escapar um ultimo sorriso.
O dia fora mais escuro do que a própria noite. Seus olhos então se fecharam novamente. E entrou em um sono profundo. Caindo em uma escuridão sem fim. Não teve sonhos. Deixou para trás a matéria, os sentimentos. Sua alma, não chora mais. Apenas a procura de um novo começo.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Desejo


Desejos e desejos. São inacabáveis, contínuos, dolorosos, impossíveis. Desejar já sentindo dor a presença de alguém, ter o calor dessa pessoa, desejar presenciar apenas um sorriso e um olhar da pessoa. Distância pode ser uma das piores coisas existentes, mas não faz ninguém parar de sonhar.
Então ele sonha e sonha. E como deseja torná-lo real. É um sonho. Não pode mudar. Desejo realizado em alguns segundos, minutos ou horas. Às vezes, o sonho só faz ter a sensação de qual vai ser o seu humor no dia seguinte. Impulsos repentinos. Encontra a força na alma para fazê-lo parar. E quando não para, está sonhando acordado.
“Como fugir?” ele pensa, mas não tem como fugir, está em sua mente, está memorizado, está simplesmente no fundo do pequeno coração que deseja. “Como saciar um desejo inacabável, quase impossível?” Nunca tem respostas. Nada, nem ninguém podem ajudá-lo. E um constante silêncio toma conta do seu pequeno espaço. Lacrimeja em silêncio.
Os dias passam e simples imagens não acabam com a tal saudade, não acabam com o calor que deseja sentir. Sem respostas, ele se afunda, ele cai.
Por fim, o desejo prevalece continuamente em uma vida. Quanto mais difícil mais deseja. O fim dos desejos chegam. Fracos ou fortes, sempre surgem outros.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Amor e Vinho


Duas jovens, entre elas um amor incondicional existente, simplesmente aconteceu, e quando acontece leva um bom tempo para mudar.
No começo, uma jovem gostou mais que a outra, sofreu e correu atrás, e nada. Desesperadamente encontrou motivos para chorar, encontrou alguém para desejar a cada noite que passara, e um vazio tomava conta de sua alma. O que fazer em uma hora dessas? .. Até então, maneiras e maneiras para vê-la. Olhos nos olhos e uma dor excitante prevaleciam e sentiam ali o prazer do olhar direto, assim que seus olhares se encontraram, não puderam mudar o que viram.
Já tocadas por um único sentimento, não sabiam como se expressar. Quando se viam não sabiam como conter seus atos, vergonha ou um tanto de ansiedade tomava conta de ambas.
Uma festa, bons amigos e um bom vinho. Apenas isso para o inicio de um grande amor. Descontraídas e felizes, trocaram o primeiro beijo. As duas se enfraqueciam e se fortaleciam com o poder de um beijo. Não era conseqüência de nervosismo ou de empolgação, sabiam muito bem o que faziam.
A inocência tentadora das duas jovens, não preocupava ninguém, não atingia ninguém.
O desejo que tinham uma pela outra era inacabável, o desejo apenas aumentava inflamado pela doçura das duas jovens. Excitavam-se com um fluxo de prazer, sentiam-se bem com a presença uma da outra. Os olhares iluminados com a cumplicidade dos sentimentos.
Um dia passado, já era mais que uma amizade. Não poderia terminar ali. O tempo passava, superando os tais “preconceitos” idiotas, superavam, e não ligavam.
Somos aceitos para dar opiniões, mas nunca para julgar, principalmente algo importante: A felicidade.
O tempo passava como o vento. Um dia, juntas, olharam para um copo de vinho como se tivesse algum significado. E tinha. Lembraram-se do primeiro beijo. As duas não se escondiam mais. Não tinham medo. Não escondiam o que realmente chamam de felicidade. Não mais.
Inexplicavelmente o Amor e o Vinho combinaram, uma só vez.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O inverno


Hora de mais dor talvez, hora do frio, hora de lembrar-se de tudo o que passou. Talvez seja a hora que mais pensamos na vida. Refletimos, pensamos nos arrependimentos, do que não fizemos.
Inverno é como domingo, vazio e triste. Sem o que fazer às vezes nos acabamos. Às vezes procuramos tantas coisas, acabamos não encontrando nada. E ficamos, num canto, sem ninguém perceber, apenas um vulto ali sentado.
O frio se identifica por sentimentos..sentimentos frios.. E a solidão predomina ali. A chuva cai, como se fosse lágrimas, tão sentidas..Repletas de saudades, de quem se foi,de quem está longe, de seus amigos, saudades de si mesmo. Os pensamentos são cheios de confusões, não se pensa em uma coisa apenas, mas sim em sua vida toda.
O inverno, frio como a pele de um defunto, tão intenso, vê-se o estado de espírito de alguém.
Às vezes um bom refúgio para pensar em si mesmo, e não a perda de tempo pensando em como fazer os outros se sentirem bem.
No inverno, não choro por ninguém. Apenas por mim. Ele gela a alma, e me faz esquecer todo o resto..

Os versos


Quem me dera escrever um verso de felicidade em um poema meu, a tristeza inunda o meu infeliz poema. Tão sofredor o coitadinho, tantas pessoas se identificam com ele, ele acaba não sendo lindo, ele sem querer é um coração que bate bem devagar, quando o lêem, é apenas um eco sombrio. Que nada diz que nada vê e que nada sente.

Os que lêem sentem a presença da magoa, enquanto para mim já se é uma coisa tão normal e triste. Quem o lê sente na pele que a felicidade é necessário no coração de quem escreve.

Os versos, quaisquer que sejam mostram um pedacinho de um coração amargurado como o meu. Eles já são lagrimas, lagrimas que chorei, e que escondidas ficaram por muito tempo.

Os meus versos são como livros, aqueles livros que de magoas são cheios.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O ser perfeito


Ela engana a todos com sua bela alma, nada pode mudar, ela apenas engana, machucando corações de quem só enxerga a alma, e quando vê a linda face, acredita sim.. Ver um ser perfeito.

Mas quando começam a ver a merda da realidade, sentem na alma e no seu coração.. Que aquela foi a mentira mais linda que já viu. Ou que já existiu.

Tudo muda, mas os pensamentos não acabam e de vez em quando acabam virando dor. Sem motivo e sem significado. Pensam na pessoa errada, desejando alguém perfeito.

O ser perfeito.. para mim já existiu, e foi umas das melhores sensações que já tive, tudo para ela era merecido, mas um dia eu me arrependi .. Sabendo que tudo aquilo era apenas um conto de fadas, que a qualquer momento iria acabar.

E finalmente acabou, sem idas e sem voltas, apenas se foi, penso, mas já não quero pensar, sonho, a desejo do meu lado, sempre, e meus olhos enchem-se lágrimas assustadas, não querem cair, e não caem. Mas o tempo passa e tudo muda. Um dia já não pensarei.

Mas um dia, algum tempo no futuro, ou quando estiver morrendo.. Poderei afirmar que alguém prefeito já existiu, mas são raras às vezes, então tome cuidado, pois os seres perfeitos, podem ser apenas uma linda mentira para se acreditar.