segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Está frio.
O dia nublado, estou com medo desse momento, pois sabia que este sentimento viria, sabia que você viria. E se eu fosse em direção do vento, eu saberia de có. E a vida inteira, eu cantaria essa trilha sonora.
Estou sentindo a manhã de um quarto escuro. A madrugada parou de existir, não há quentura e tremor no peito, não há clima ou euforia.
Estou só.
Hoje sou eu e o céu. Não há mais o te conhecer e eu não quero apertar a areia, não quero ouvir o vento.
Eu quero as tuas palavras de calma.
Porque
Hoje não há bom dia,
Há respirar...
Não há madrugada
Há respirar...
E não há mais você em você.


sábado, 16 de agosto de 2014

Aos dois anos

Velho, abra a porta.
Eu prezo para não ser um velho desgarrado da vida que nem o senhor, mas vim tomar uma cachaça na sua companhia.

(velho) hahaha entre, filha. Seja bem vinda.

Nessa noite, achei engraçado para onde o vento anda direcionado, e acredite se quiser, não é ironia. Nessa noite, lembrei-me das músicas que aquela guria escutava quando nos conhecemos e sempre vinha aquelas mensagens: MUSIC IT WILL SET YOU FREE, LET IT SET YOU FREE... aquilo era marca registrada dela no meu celular nas primeiras semanas.

(velho) haha, isso é bom.

Hoje irei viajar, lhe contei? Não? Então, vou viajar. E parece ser tão legal, tão ensolarado. Mas eu não gosto disso. Lembro-me que há um ano eu fui para outro lugar, eu fechei os olhos e fui, sem medo. Lembro- me que quando pisei pela primeira vez em fortaleza, eu não tinha medo, e a única coisa que me fazia medo, era chegar aos olhos dela, mas também era a única coisa que me fazia andar. É verdade. Foram definitivamente uns dos dias mais felizes da minha vida. Senti meu peito explodir ali mesmo quando desci do ônibus. Passe-me mais uma dose de cachaça certeira, velho.

(velho) Tome. E o que sua alma diria a ela, agora?

Ah... Diria que sinto muito. Isso faz tanto tempo. Eu não consigo me desprender disso, e eu diria isso a ela olhando nos olhos. Diria que o que ela construiu comigo fora, incondicionalmente inefável. Mesmo que seja passado, eu não preciso me desprender disso. Amizade nunca foi esse tipo de amor pra mim, e ela é minha melhor amiga. Ah velho, queria tanto dizer a ela que os erros só aconteceram.

(velho) Vamos, fale mais, ela está lendo, ela está aqui.

Eu diria a ela, velho... que por mais que hoje estejamos em um tempo indeterminado, isso não acabará com as minhas bobagens que ela adora e nem as bobagens dela que eu adoro. Isso não acabará com o meu amor à literatura nem o amor dela por desenhar, isso não me fará parar de pensar se ela está bem ou não, isso não vai me impedir de escutar Vampires on tomato juice e nem ela, isso não me fará deixar de ser o que sou ou ir embora e nem ela, e que pelo amor dos Céus, que nunca mais eu seja o infortúnio que fui. Eu quero dizer que eu estou muito, muito, muito orgulhosa pelo relógio de bolso e que eu vi o IIII. Eu o vi e chorei. Sim, eu chorei, e quis abraçá-la pelo esforço, pela criatividade e pelas noites perdidas.
Porque, eu sou assim, Nhown. E eu sempre vou ser assim. Exagerada e cheia de bobagens. Muito obrigada por tudo, e mais um pouco, por ainda estar aqui.

(Velho) Não chore e muito bem.

“We are the vampires on tomato juice.”

Aos 24 meses.
{Y.S}