quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Lembranças

A obsessão pelo passado, momentos que com o tempo jamais voltam. E chorava amargamente, fazendo ali um rio de lágrimas. Parado na grama do jardim, olhando para o céu nublado e sem vida. Não estava louco. Mas apenas lembrando.
Fechava os olhos sentindo o momento, respirava profundamente. Sofria. A saudade era imensa e seu momento era de dor, lembrava de seus amigos. Amigos, aqueles que com o tempo foram perdidos. Não tinha como se refugiar do seu próprio passado. Certas lembranças traziam mágoa, machucavam sua alma. E seus olhos sonolentos procuravam e procuravam, mas nunca souberam o que procurar. Pensava, algum tempo atrás, poderia ser para sempre, percebeu que estava enganado e tudo se acaba.
Curtos passos sob o pequeno jardim, qualquer cheiro, toque ou presença, temia.
Lindas lembranças, mas o faziam sofrer, pois não podia vivenciá-las. Apenas lembrar. Novamente os olhos enchiam-se de lágrimas cheias de dor e sofrimento. A alegria e a tristeza permaneciam juntas, e sorria como uma criança, vivendo a infância, perto de amigos que jamais esquecerá, quando lhe desceu a noção, abriu os olhos e viu que nada mudou.
Lembrava dos lugares, onde tinham os amigos reunidos, as graças, os vexames, os sorrisos. Estava sentindo a felicidade, mas com lágrimas nos olhos, olhava as cartas recebidas. Já não havia o que fazer. Por um momento agarrou o sofrimento, seu passado, as lágrimas. Por um momento pôde sobrevoar o passado, pôde se distanciar da cruel e verdadeira realidade. Mas o tempo é curto, infelizmente teve que voltar, e triste.
Abriu os olhos, limpou as lágrimas e seguiu sem deixar nada para trás.

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