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Ora floresce

Entre vernizes e vernizes
Meu coração estanca como um camaleão
Andando de duna em duna
Ora foragido ora invisível

A cada batida enxagua
De sangue frio às paradas
A cada batida enxagua
As feridas demasiadas cicatrizadas

Ora atento ora perdido
De duna em duna
A cada fosso sem vazio

A cada gesto teu no mundo
Ora atento ora desconfortável
Ora agradecido, ora esquecido
E o teu?

Peripécia

Amor é uma coisa doida né? Ele te pega pelo pé e deixa tu correr junto dele. Amor é adrenalina. É aquela queda que tu pode cair de pé, mas tem medo de se esbofetear no chão. Amor é dor quando se esbofeteia. Amor é risco, independente do que estejas pensando. Amor é fé tanto quanto é lua de mel. Amor é sacrifício. Sacrifício bom, é claro, quando se faz cara feia, já não é tão bom assim. Tem de querer, tem que ser de bom grado. Amor é colheita. Quando dizem que o amor é que nem jardim, acredite, se não cuidar, ele morre. Amor é tanto sorte quanto azar. Amor vai te jogar no chão algumas vezes de propósito só pra te testar, para ver se vais desistir ou não. Amor é medo, eu já disse isso? Amor é apoio e amizade. Ele tem que fazer parte do teu circulo de melhores amigos contados em uma só mão. Se o teu amor não for amigo, não é amor. Não sei que nome se dá, mas não é.      Amor é... Companhia e chocolate ou morango. Cerveja e pizza. Hambúrguer e batata frita. Amor é Netflix.     Mas cuid…

Memória de uma mente com lembranças

Era manhã, não lembro bem, não sabia nem se estava viva, ou se era vida ou se era eu apenas existindo mais um dia. Já tinha tomado meu café, já tinha fumado um cigarro. De memórias póstumas, mais um verme de Brás Cubas caminhava por de baixo da minha cadeira de rodas. Mas havia de melhorar, minhas pernas iriam se mexer como antes,  eu iria voltar a ter gosto da vida. Quem sabia? Eram 9 p.m em ponto, quando o fusca buzinou lá fora. Mais uma vez eu estava a surtar. Risca, risca, risca e não para. Surta, respira e finge que está bem. O médico entrou no quarto, eis que finalmente eu começaria a tratar do que mais me doía. Eu já não estava mais me importando e sorria, para que pudesse me observar melhor. Um desconhecido ficou parado do lado de fora do quarto para ver o corte em carne viva, olhei a camisa do Venoom, olhei para o seu riso seco de voz baixa, estava envergonhado. Voz tremula e olhos pequenos que brilhavam mais que alguns pontos de luz na água. Eu não sabia que ele me olhara m…

Querido diário virtual

Querido diário, posso eu reclamar de todo tempo perdido em que encontro-me deitada, sentada, brincando com o ócio, olhando para o nada, olhando para dentro e etc, chamo isso então de procrastinar sem culpa. “Faz quarenta dias que estou no meu barco a velas” como diria o Vanguart, diferentemente desse, sem o álcool e a boemia, é inevitável sentir-se sozinho.
É inevitável culpar o destino e o que se acredita quando a sua vida ativa muda repentinamente para o nada. O tempo parou no momento em que eu caí. Eu poderia dizer que estava com raiva por
quebrar o que não poderia ser quebrado no momento, um mero osso e vários paradoxos que eu enxergava por estar cega, para então, passar dias pensando que o ser apodreceria com o tempo. Mas a contínua verdade de que nada somos diante de situações bobas, é gritante demais É fato que qualquer alma grita quando não se tem o poder,
o poder de escolher o que quer, o que deseja, de ir e vir, o que é, em sua concepção, deveras necessário para sentir-se b…

Notória lembrança

Em concepção errônea, navego em rios onde acompanhava-me o olhar que tremia até o último fio de meus ossos e instigava-me até a única dúvida.

Meu corpo ardia no quadragésimo dia de viagem e por entre as gotas de suor, a alma gritava: onde está a sensação de saber a que lugar eu pertenço?

Desceu pelo rio? Da terra pro mar?

O corpo tremia pensando nos seus olhos cinzentos sorridentes de prazer que até um dia antes de eu morrer, chamava-se cura. Você era a perdição de elos de sorte e ansiedade. Era a sensação perdida de prata em sonho. Você era a vergonha distante em entrelinhas. Você apresentava-me a dormência e a satisfação mergulhada em ego.

Mas em concepção errônea escrita na parede daquela tarde chuvosa em fevereiro, a face de Deus era jovial. Ele continha cabelos brancos bagunçados presos por um laço preto de plástico brilhante.

Pulso

Está só?
Esconda-te embaixo das saias
Embaraçadas de olhos nus
Sinta-te abaixo de pedras e lamentos
Tu não és invensível
Senta-te em canhões
E deixa
E para
Somente para o que te rodeia
Para qualquer coisa
Respira
Deixa pulsar
Deixa
Não seja o que te machuca
Seja clichê
Seja o que quiser
Respire-se
Respira
Olha-me
Suspira
Permita-se
Permita
O universo responde a cada ato teu
E tu não
merece menos
do que
toda a
gentileza
que
oferecer
pro
mundo.

Querido diário virtual

Conhecer alguém não significa que o amor que a gente mais conhece baterá nas rédeas do teu coração e gritará.
O que digo é que pode te dar um novo sorrir, além de novas melodias, novas músicas ou te trazer paz de volta nas músicas que tu deixaste para trás.
Ah, te dá novos pensares. Novas idéias, até mesmo novas teorias. Te dá a chance, momentânea ou não, de ver o mundo com os olhos dele, basta permitir-se enxergar. Sabe, ás vezes também te dá a oportunidade de entender mais o conceito de força de vontade e admiração. É como se você tivesse um livro de bolso que em certos momentos tu abre de bom grado, ele te surpreende e te faz querer ser melhor em vários aspectos em ti, mesmo ele não querendo ser esse tipo de livro.
Por fim, conhecer alguém não significa que obrigatoriamente o amor que a gente mais conhece baterá nas rédeas do teu coração e gritará, claro que pode acontecer, mas, talvez, de certo modo e por sorte te dê espectativas de um novo lar para crer, uma luz …