segunda-feira, 23 de junho de 2014

E então, naquela noite silenciosa eu fui até você,
Eu senti o teu cheiro de perto,
Eu senti todo aquele amor que se fora
Eu te senti depois de meses..

Eu cheguei ao teu ouvido e sussurrei
"eu desisto... de tudo que ainda posso desistir"
Mas ao envés disso, eu disse que te amava como todas as noites.

Por favor, não..

domingo, 15 de junho de 2014

Extra-ordinários domingos

É exatamente assim.

Por malditos longos meses, o domingo tem a mania de estar mudando de humor o tempo todo, o que obriga-me a respirar fundo três vezes em mais ou menos de quatro em quatro horas. Isso começou a me incomodar muito.

De manhã acordo, fumo ópio, estou extremamente bem, penso que ficarei assim até a noite. Logo após o pequeno lanche da tarde, tento fechar os olhos e dormir. O corpo descansa, a mente continua pensando, isso me entristece. Faz-me querer delirar ou escutar uma boa música com violinos ou fumar ópio novamente.

Ah, e quando chega a noite, chuvosa como está hoje. Que por intermináveis horas pensei em estar bem, respirei fundo por quase 600 vezes, só que as memórias me matam, os pensamentos me fragilizam. Estou triste porque neste domingo estou independente. Um amigo encontrou outro caminho e não me disse adeus. Outra amiga prefere 8 ou 80, e ela sempre escolhe o 80.

E por um momento quero chorar, me machucar e ir embora. Mas eu não posso. Preciso mudar antes de ir. Preciso me levantar antes de ir. Preciso crescer e ser independente sem chorar antes de ir, preciso fumar mais uma delirante e perfeita memória, encher os pulmões das tuas imagens, soprá-las e estas ecoarão, “você não é mais o mesmo. Você não existe mais.”

quinta-feira, 12 de junho de 2014

"Você não existe. E a noite é a mais bonita para nós dois."

domingo, 1 de junho de 2014

Apenas velho e bêbado

Hoje acordei inteiramente a ouvidos para Nirvana, e isso é engraçado depois de uns meses, mas não vem ao caso.

O mais engraçado foi um velho entrando no meu quarto ontem. Era tarde, e ele entrava cambaleando por aqui, com um copo na mão. E com ele, levava tudo de pesado que poderia existir num tempo curto demais. Eu explico...

Um tempo atrás, ele era um velho surtado que bebia, fumava e começou a se drogar irrefreavelmente, tudo isso para esquecer o acaso, fato infeliz de ter se apaixonado por uma menina de olhos bonitos com metade da sua idade.

Ah, o velho enlouqueceu, claro. E tamanho de meia idade, ainda vomitava na frente da velha taberna que ia raramente. De vez em quando, eu perguntava ao velho que diabos ele fazia no meu quarto, mas ele nunca respondia e continuava a falar. O cara estava contando uma baita história. Dizia que era normal ele acordar com raiva da vida todas as manhãs, quando ia ao comércio escutando o falecido Kurt Cobain, e o pensamento dele sempre nos olhos bonitos, que por sua vez vivia as noites em claro tentando ser feliz, e era justo nessas noites em claro, que o velho fazia questão de morrer de novo e de novo. Tomou um gole da cachaça de jambú.

"Um dia desses, eu estava sentado no chão, suado depois de fazer alguns exercícios.” Contava ele. “Estava lagrimando, não chorava mais fazia dois dias.” Estava escutando Boa parte de mim vai embora. “Eu estava burro, talvez fosse a idade e não os olhos bonitos. Encontrava-me todos os dias no mesmo horário, morrendo de amor, sabe? O amor é um cão dos diabos como um outro velhote bêbado afirmou.” Talvez eu estivesse encantado, agora.
“Jovem, eu morri hoje de manhã cedo, estava escutando nirvana novamente, mas eu não surtava mais, não chorava mais e foi bem aí que percebi que o que me sustentava o tempo todo era a loucura e a aceitação de que os olhos bonitos eu nunca vira. Eles nunca existiram. Não, não existiram.” Tomei um choque e ele, outra dose de cachaça.
“É simples, um velho que nunca amou e deseja encontrar-se com a morte, entra em surto, se embriaga, se droga e sofre por um amor impossível ilusório, claro que enlouquece e morre. Tenho uma coisa a lhe dizer, beba porque é divino e ficar chapado é lindo. Faça isso quantas vezes puder e no limite certo, jamais para perder-se de vista. Acredite que o tempo que estive aqui embebedando-me, percebi que cachaça de jambú é dos deuses e tu és único. Tu sabes amar e eu não aprendi. Então, não julgue-se como louco por chorar quase todas as noites. Louco, meu filho, sou eu e não você.”

E então o velho deu duas tapinhas no meu ombro. Tomou toda a cachaça e saiu do quarto. E não volta faz mais de dez horas, e acho que não volta nunca mais.