quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

~


"Sentado de frente para tv, tenho um devaneio ou melhor uma lembrança. Não só uma lembrança, é incrível como o sentimento volta e consegue fechar meus olhos e me fazer sorrir para o nada.
Lembro que o sol começava esquentar quando eu acordava, e em quase todas as manhãs, depois de ter passado a noite em claro, eu acordava em paz, meu coração batia em paz, e nada me afetava. Não acordava fraco e nem temendo ao dia, por mais que tentasse voltar ao luto, não conseguiria.

"Por favor, ande mais devagar. Vamos respirar... "

E tudo isso acontecia porque eu estava conhecendo algo novo. Eu estava me levantando. Por isso o sol brilhava tão bonito lá fora, por isso eu saía nas ruas querendo parar e simplesmente respirar. Percebo que me deram a felicidade incondicional que jamais senti. E seja o que for, lembrança ou devaneio, disto.. eu não quero me perder nunca mais."

~Time it was and what a time it was it was,
A time of innocence a time of confidences.
Long ago it must be, I have a photograph
Preserve your memories, they're all that's left you~

As partes perdidas de Vinicius

~Eis aqui uma das poesias mais belas do mundo perdido de Vinicius de Moraes. ~


"Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.
Eu deixarei ... tu irás e encostarás
a tua face em outra face

Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa

Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos portos silenciosos

Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada."

sábado, 23 de fevereiro de 2013

-Dê a ela a chance de sentir a sua falta.
- '-'

T.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013


O dia amanhece como a alma, frio e doentio.
Que ao invés de deixar algum anjo ajudar, foge e corre.
Porque na decadência do mais cinza dos dias, deseja estar assim
Caído, sentindo a alma queimar, além da alma, a face e o corpo.

Por mais decadente que seja, estou num paradoxo.
Entre vida e morte dentro do sonho,
Que jamais tentei acordar,
Ou, definitivamente, acabá-lo.

Não desejo a companhia dos mortos,
Não desejo palavras de carinho,
Não desejo que tu olhes por mim.
Porque tu não disseste adeus.

E por mais que doa, não julgo os céus por ser ingrato.

O céu despenca,
Ele grita junto,
E deixa derramar em mim
A falsa liberdade dos seis anos...

domingo, 10 de fevereiro de 2013

This is the end



     Lá estava eu, só e tranquilo. Ao som quase inaudível do radio. Como de costume, estava bêbado, abraçado aos livros empoeirados, cheios de vida jogada fora. Abracei-me a eles, joguei-me ao chão e sorri.  Deixei o céu cair por um instante.
     Seguraste minha mão, me puxaste para o infinito. Fechamos os olhos e começamos a sonhar juntos ao gosto do erro em nossas bocas. Estávamos andando, por entre as ruas desertas de domingo a noite. E por mais raro que seja minha decisão, não conseguia te soltar, não conseguia te deixar ir. Eu não me sentia só naquela bêbada noite.
      Andamos até a rua mais escura, de onde viemos e cometemos mais um erro. Tu conseguias o impossível, tu conseguias fazer-me invencível ao teu lado, eu conseguia ser forte. Se estivesse perto de um sonho, eu iria pegá-lo e fazê-lo meu, só meu.
      Tu me olhavas com a mais serena expressão de que tudo iria ficar bem. Por um segundo, vivi o que jamais vi em vida. Tu, por um momento, eras o guardião do meu céu e do meu inferno. Finalmente, beijastes a minha testa, dissestes que me amava, e fostes embora.
      Abri os olhos, e com aquele cheiro de cachaça certeira, larguei os livros no chão. Tive um devaneio. Um devaneio de liberdade. Se tudo que vivi, fora de alguma forma real, em sonho quis que fosse com os olhos mais belos que vi e senti.
     O céu se levanta, eu me levanto e vou dormir. E este é o fim.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

06.02.2013

O gosto do erro está na boca, e corre pelo corpo.
Não há volta ou justificativa.
E do perigo, tentei salvar as duas almas.

E no abismo as joguei, mais uma vez.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

01~02~13


Por um ano não houveram palavras. Por mais diferente que fosse a amizade, estaríamos ali, respondendo uma a outra.
Nada de palavras ditas. A presença, era tudo que tínhamos, além de olhares e além de companhia.
Nos conhecemos e foi divertido, passeávamos por entre o verde, sob o sol, e ficávamos em harmonia.
Houve um episódio em que um pequeno felino pousou o olhar frio cor amarelo no corpo dela, e eu a salvei daquelas garras afiadas e ameaçadoras. Estive com ela e a acalmei. Em troca, ela só me dera sua agradável companhia, e era tudo que eu queria.
Ao passar do tempo, fui crescendo, por dentro, apenas. Tornei-me gente, uma pessoa com responsabilidades. E quando o sol estava para nascer, lá estava ela, dançando dentro do lar, cantando ao me ver, e eu retribuía, baixinho, mas retribuía. Ela era a companhia da madrugada, o meu "bom dia" antes do mundo, a primeira a me fazer sorrir.
Hoje foi o dia em que ela sentiu dúvidas, se ia ao abraço da liberdade ou se voltava para o lar. Felizmente ele escolheu a liberdade, soltou as asas, e sentiu o vento gélido nas penas marrons. Infelizmente, eu jamais a deixaria ir, jamais a entregaria para liberdade, por superproteção.
 Hoje, perdi uma grande pequena amiga. Ela não teve medo e se foi para conhecer o mundo, por menor tempo que seja, ela encarou a altura e o medo, foi conhecer o que faltava, a vida como um pássaro livre.
Por horas, fiquei abaixo da janela, suspirando o nome bem baixinho, soltando lágrimas e quase me afogando nelas, sem conseguir falar, quase sem conseguir respirar, nunca mais solucei tanto, nunca mais chorei na frente de alguém.
E aqui estou, sentada na cama, de frente para a janela, esperando quase que desesperadamente por um "piu", um vultinho, qualquer coisa. Estou deixando as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Talvez eu tenha esperanças que ela ainda volte para mim, algum dia.
Deixarei as janelas abertas pra ti,
Bulba.