segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Um pouco de Alberto Caeiro...


Autor: Fernando Pessoa.
Heterônimo: Alberto Caeiro (o Mestre ingênuo dos heterônimos de Fernando Pessoa// O guardador de rebanhos.)
- Materialista: Pagão.
-Racionalista- Anti- sentimentalista
-Negação da ciência e da filosofia.
-caráter sensorial/ mundo real/ sensível.
- Pensar é sentir. ( sinto, logo existo...)

Foi um poeta ligado à natureza, que despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão ("pensar é estar doente dos olhos"). Proclama-se assim um anti-metafísico. Afirma que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro.
É modernista quando contém a linguagem simples ou cotidiana. No poema, valoriza o caráter sensorial como forma de captar a realidade material. Expressa o materialismo e o racionalismo da poesia de Caeiro, uma vez que o homem não pode buscar nada além do que lhe oferece a natureza. É um poeta de completa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade. Mesmo negando a filosofia, acaba fazendo a sua própria.

X
"Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?"

"Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram."

"Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti."


Alberto Caeiro é uma criança em uma eterna descoberta.

V

Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

ALBERTO CAEIRO

IX

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

ALBERTO CAEIRO.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Tonight


A agonia de ir mais rápido, de ir mais a frente para que tudo fique melhor, para que a vida mude, a rotina mude, as pessoas mudem. Logo, o desespero fica maior, a impaciência aumenta. Há recaídas, há perguntas...

"Estou fora do caráter... estou em forma rara, e se você realmente me conhecesse, saberia que não é a normal."

O passado vai ficando para trás, e tudo volta a ficar no fundo do coração, escondido, um pouco esquecido... Esta noite não...
Esta noite, é noite para não ser o mesmo recaído e rejeitado de canto, não é noite para se ver triste num espelho despedaçado. É para sentir algo novo, algo incomum. Nada importa.

"Not myself tonight"
Estou vivendo e morrendo esta noite... Fugindo da luz, caminhando sozinho como um motoqueiro fantasma. Hoje não é para lembrar o por que... O céu está de cabeça para baixo finalmente montando o momento em que o corpo e a alma ficam em sintonia perfeita.
Sem mais sofrimentos, sem as palavras das lagrimas. Esta é a noite de uma vida.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

I'm So Sick


Eu destruirei seus pensamentos
Com o que está escrito em meu coração
Eu destruirei...Destruirei!

Eu estou tão doente, infectada com
o lugar que eu vivo
Me deixe viver sem esta
felicidade vazia, egoísmo
Eu estou tão doente

Se você quiser mais disto
Nós podemos levar embora, liquidar, matar
Então você se calará
E ficará dormindo
Com meu grito irritando os seus ouvidos

Ouça! Eu estou gritando!
Agora você está prestando atenção
Ouça! Eu estou gritando!
Você treme com este som
Você se afunda em minhas roupas
Esta invasão me faz sentir
Sem valor, sem esperança, doente

Eu estou tão doente, infectada com
o lugar que eu vivo
Me deixe viver sem esta
felicidade vazia, egoísmo
Estou tão , eu estou tão doente

Flyleaf


sábado, 7 de agosto de 2010

Make me wanna die..


Tenho vontade de caminhar sozinho na noite escura de domingo. Escutar o som da guitarra no vento, o som todo dentro da minha alma. Mesmo tendo tudo, eu não quero nada. Meu desejo seria que você me levasse vivo para algum lugar...
Desejo que me leve vivo para a perdição e para a loucura. Onde eu esquecesse tudo da vida, sem ter caminhos para cair ou céus para voar. Desejo que me tire a eternidade, me prove e beba minha alma. Onde a lua e as estrelas vissem o caminho perdido. Beber... Dançar... Suar... Morrer... Quero um lugar sujo e ter drogas que só você pode me dar. Até que chegue ao ponto de querer mentir, roubar e morrer por você.
Quero viver, e voltar para casa, realizado e cheio de nostalgias de uma noite. E querer olhar em teus olhos toda a noite, pensar "Eu já tive tudo", agora estou banhado de sangue e embriagado, para esquecer e lembrar lapsos daquela noite. Eu juro que desejo a loucura... Que meu amor seja eterno...

Olhando em seus olhos... Você me faz querer morrer

Save me


As lágrimas cessaram, mas o baque ainda relembra a dor que passara. Sabia que olhando o céu, o amanhã não seria um novo dia. Jurava para si mesmo que salvaria a própria alma. O sangue escorria do céu como uma chuva forte em uma noite de dezembro. Continuara andando por todos os lados em um caminho de infortúnio. Cada passo, um pensamento.
Lembra de como fora sua ida ao mundo diferente do seu. Pessoas belas com sentimentos belos, e suas asas negras não o deixara apreciar a luz do dia. Parou seu coração por esperar um anjo guardião sempre. Sabia que seria o caminho para o desastre e a queimação de sua alma.
Contínuos passos em volta da cadeira. Voltava para perto da cama, e parava em frente de uma janela, seus olhos pareciam sangrar de tanta ardência... Mas o que poderia lhe perturbar tanto?
Mais algumas voltas, a caneta e seu ato de escrever lhe fizeram bem, dando seu coração a alguns goles de vinho, estava sozinho em lagrimas de esperança em que começara a desistir de lutar.
Esperar tanto, seria sua única perturbação, se sentiria bem cortando suas asas na esperança de não mais cair. Demorou tanto tempo para sangrar... Sozinho, ele chegou ao inferno e voltou para o seu mundo.
Voltou a janela, sentiu a frieza bater em seu corpo... Foge, enfim, de tudo que se tornou.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Seven months


Esperei o tempo mudar e gravar em mim a cicatrização de um tempo ruim, o vento traz mais uma vez as belas melodias da noite. Faz-me senti o vazio do mundo, com a existência de um só ser. O sangue que escorria para, tudo para sentir a presença tão perto.
O mundo aparece em outro formato e a realidade faz algum sentido, me diz as palavras que quero ouvir. Mesmo que ainda haja dias escuros, mesmo que haja sustos e medos, nada se compara o mais lindo sonho e a doce realidade... Pois agora, mais que nunca sei que lutar sempre valeu à pena.
Eu não poderia deixar nem um minuto passar. Tão pouco tempo para tudo se tornar real. E agora é o anjo de asas brancas que me traz paz e harmonia, é a luz e minha esperança, minha loucura e meu conforto, minha cura... E tudo que eu sempre quis ter por perto.
Não aprendi a dizer as palavras certas. Nem recitar poemas, nem a cantar... Estou correndo para os teus braços, e finalmente chega a hora de acordar. Não é mais sonho, não é mais ilusão, nem pensamento. Agora, eu te trouxe para a realidade.


“E tudo vai indo bem, venço o cansaço e o medo do futuro, no teu abraço é que encontro a cura do mal... Hoje eu acordei e te quis por perto...”


F(L)