sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

01~02~13


Por um ano não houveram palavras. Por mais diferente que fosse a amizade, estaríamos ali, respondendo uma a outra.
Nada de palavras ditas. A presença, era tudo que tínhamos, além de olhares e além de companhia.
Nos conhecemos e foi divertido, passeávamos por entre o verde, sob o sol, e ficávamos em harmonia.
Houve um episódio em que um pequeno felino pousou o olhar frio cor amarelo no corpo dela, e eu a salvei daquelas garras afiadas e ameaçadoras. Estive com ela e a acalmei. Em troca, ela só me dera sua agradável companhia, e era tudo que eu queria.
Ao passar do tempo, fui crescendo, por dentro, apenas. Tornei-me gente, uma pessoa com responsabilidades. E quando o sol estava para nascer, lá estava ela, dançando dentro do lar, cantando ao me ver, e eu retribuía, baixinho, mas retribuía. Ela era a companhia da madrugada, o meu "bom dia" antes do mundo, a primeira a me fazer sorrir.
Hoje foi o dia em que ela sentiu dúvidas, se ia ao abraço da liberdade ou se voltava para o lar. Felizmente ele escolheu a liberdade, soltou as asas, e sentiu o vento gélido nas penas marrons. Infelizmente, eu jamais a deixaria ir, jamais a entregaria para liberdade, por superproteção.
 Hoje, perdi uma grande pequena amiga. Ela não teve medo e se foi para conhecer o mundo, por menor tempo que seja, ela encarou a altura e o medo, foi conhecer o que faltava, a vida como um pássaro livre.
Por horas, fiquei abaixo da janela, suspirando o nome bem baixinho, soltando lágrimas e quase me afogando nelas, sem conseguir falar, quase sem conseguir respirar, nunca mais solucei tanto, nunca mais chorei na frente de alguém.
E aqui estou, sentada na cama, de frente para a janela, esperando quase que desesperadamente por um "piu", um vultinho, qualquer coisa. Estou deixando as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Talvez eu tenha esperanças que ela ainda volte para mim, algum dia.
Deixarei as janelas abertas pra ti,
Bulba.

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