domingo, 10 de fevereiro de 2013

This is the end



     Lá estava eu, só e tranquilo. Ao som quase inaudível do radio. Como de costume, estava bêbado, abraçado aos livros empoeirados, cheios de vida jogada fora. Abracei-me a eles, joguei-me ao chão e sorri.  Deixei o céu cair por um instante.
     Seguraste minha mão, me puxaste para o infinito. Fechamos os olhos e começamos a sonhar juntos ao gosto do erro em nossas bocas. Estávamos andando, por entre as ruas desertas de domingo a noite. E por mais raro que seja minha decisão, não conseguia te soltar, não conseguia te deixar ir. Eu não me sentia só naquela bêbada noite.
      Andamos até a rua mais escura, de onde viemos e cometemos mais um erro. Tu conseguias o impossível, tu conseguias fazer-me invencível ao teu lado, eu conseguia ser forte. Se estivesse perto de um sonho, eu iria pegá-lo e fazê-lo meu, só meu.
      Tu me olhavas com a mais serena expressão de que tudo iria ficar bem. Por um segundo, vivi o que jamais vi em vida. Tu, por um momento, eras o guardião do meu céu e do meu inferno. Finalmente, beijastes a minha testa, dissestes que me amava, e fostes embora.
      Abri os olhos, e com aquele cheiro de cachaça certeira, larguei os livros no chão. Tive um devaneio. Um devaneio de liberdade. Se tudo que vivi, fora de alguma forma real, em sonho quis que fosse com os olhos mais belos que vi e senti.
     O céu se levanta, eu me levanto e vou dormir. E este é o fim.

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