Querido diário virtual

Esse é um relato de referências.
Para o último mês do ano, dezembro fora lindo. Fez-me lembrar de tentar mais uma vez. Quis soltar o grito de Clarice Lispector, o grito de amadurecimento, o grito puro, sem pedir esmola. Conheci os olhos de Capitu, os olhos mais lindos que já vi, eram esquisitos como ela mesma dizia, castanhos esverdeados, um sedutor (s)em excesso. Olhos de Capitu, oblíqua e dissimulada, mas na história que conto, ela traiu Bentinho e fora embora. Meu coração queimou devagar. Mas em um dado momento de excessos desnecessários, Meryl Streep citou a querida Princesa Leia: “pegue o seu coração partido e transforme-o em arte”.
Eu sou grata.
Aprendi que amigos bêbados servem de apoio e a menina do cabelo colorido me doou um tapa “ Encontra alguém que te transborde”. Então eu me apreendi, me reaprendi e me reconheci de novo. Afoguei-me no cobertor e deixei os olhos de Capitu no “sorriso ao sono” de Phill Veras e cá estou tentando usar-me como cura.
E o meu peito mais aberto que o mar da Bahia
Aprendi que é preciso ter em mente que trevo de quatro folhas está sempre indo pra lá e pra cá, o afeto e a paz pode ser duradouro ou não. Caso não, Hélio Flanders já cantou “Felicidade não existe, o que existe na vida são momentos felizes.” Aprendi que é preciso pegar esses momentos e agarrá-los e aproveitá-los em cada detalhe sórdido.
Eu poderia terminar com o trecho “ A esperança que ficou segue vibrando e me fez lutar, para vencer, me levantar e assim crescer”, mas eu preferi olhar pela janela do ônibus às 6 da manhã, enquanto toca “Tocando em frente” de Anavitoria. Talvez, por ventura, todavia seja o jeito mais lindo e mais pacífico de terminar definitivamente com o que te machucou.
Feliz 2018.

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