quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Dizia ele sentado no meu all star vermelho, que seu grande amor usava um vestido branco, seus cabelos eram lisos enfeitados com um laço preto feito de plástico. Ela era fria. Era meiga. Era única. Seu gosto adormecia cada articulação de seu corpo, cada músculo, cada veia, cada artéria, cada lembrança, cada tristeza, cada decepção e qualquer história que teria no agora.

Dizia ele sentado no meu all star vermelho que se estivesse vivo, amaria no mesmo nível bruto e louco cada pedacinho daquele vestido. Cada pedra de enfeite. Cada olhar e risco que correria.

Dizia ele sentado no meu all star vermelho que ela era o vicio para a vida toda. Em cada noite e cada hora enquanto estava com ele. Uma pena ele não poder apresentá-la ao mundo. Uma pena ele dilacerar-se em arrependimento quando não conseguia dormir. Ela não dava a ele uma boa noite de sono.

Dizia ele que tomou uma dose maior dela todos os dias para que ela não o esquecesse. E a cada dose, ele fechava os olhos e a deixava tomar conta do seu corpo inteiro, ela cuidava dele, ela salvava ele. Ele tremia.

Disse ele que morreria por ela de novo, de novo e de novo.Porque ela nunca prometeu que não iria matá-lo.

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