domingo, 20 de abril de 2014

Querido diário virtual

Talvez eu tenha que confessar de vez em quando que do dia para a noite eu viva cem ou mais vidas além da minha. Bom, talvez eu faça isso pra poder não visualizar a realidade do jeito que ela se mostra, talvez, eu faça isso para o tapa não doer tanto. Mas, chegam domingos assim, tão friamente cegos, fazem-me perceber que por mais que eu tente evitar a realidade, eu não posso fugir dela.

Veja, eu consigo distraí-la, consigo amansá-la, mas quando ela chega perto demais, eu me distraio e quero fugir. Ela me parece tão grande e assustadora.

Daí nesses domingos, raros e cansativos... Vejo-me naquelas manhãs de anos passados. Não, eu não estava feliz, não tinha planos, nada. Mas, de certo modo, não pensar em realidade, presente ou futuro, me fazia bem. O que agora, pensar em tudo tornou-se um inferno aos domingos, gostaria que ela entendesse que expressei bem mais do que realmente senti e gostaria que me perdoasse por essa babaquice.

A realidade é um monstro, mas como o passado, eu só preciso lidar com isso e estou me esforçando pra isso. Só que o grande obstáculo é: talvez eu tenha mudado..
Ou talvez não. Talvez eu tenha me escondido para não ver o mundo mudar. Ou eu tenha adormecido no sofá e acordado por não ser mais quem eu era, e ao perceber isso... Eu me perdi...

De vez em quando eu abro os olhos, e me sinto naquelas manhãs, naqueles dias, nos dias que a conheci. De vez em quando eu me entrego àqueles dias, mas não é que eu viva no passado, é o simples fato é que aquela garota conseguia definir a alma com coisas simples e aquela garota era eu e eu necessito confessar que sinto imensas saudades de mim.

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