quinta-feira, 11 de abril de 2013

Eterno simples


           Percebi que a melodia não encontra olhos perdidos. Dou-me conta de que a melodia sempre me lembra daqueles dias. Essas notas, essa melancolia, esse fechar de olhos, lembram minhas duas asas do passado.
         Das justas, das que não prometeram nada. As que um dia sentiram um pequeno aperto na alma, por saberem que não era pra sempre. Sabíamos que cada chuva cessaria e cada riso ou gargalhada passaria, cada saída e cada gesto de mínimo carinho talvez acabasse ficando.
        Lembro-me da fuga tripla, cada um se refugiava em absurdas risadas em publico. Cada dor, ou sentimento de ódio, eram gargalhadas para nós. E disso, tiro a força para enfrentar o mínimo de tudo. Das nossas gargalhadas...
       Eu não queria perdê-los pelo tempo. Não queria perdê-los por cada palavra errada, ou conselhos desconcertantes. Não peço desculpas por lágrimas ou por decepções. Quando me vejo escutando essa tal melodia, é de vocês, que ficaram lá, que sinto falta. Não peço e nem necessito que voltem, peço apenas que continuem aí, onde eu possa ver. E que passemos despercebidos por perto das lembranças milhares de vezes.
       Eu me lembro dos olhos de vocês. E eu agradeço, eu jamais esquecerei o conforto e a fuga. Serei eternamente grata por um belo começo e um final hilário, trágico. 

          A vocês, eternos amigos simples.

Nenhum comentário:

Postar um comentário