sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Gelo

Tudo está congelado, pelo frio dos ventos, pelo som, por tudo. O frio chega agora como se congelasse todos os sentimentos, como se congelasse o tempo. Está passando tudo tão devagar, até mesmo vejo o tempo passar diante dos meus olhos.
O sorriso na face do mais próximo já não me acalma, mas também não devasta, me traz um sentimento não mais igual, me traz novas respostas, novos rostos, como se a ajuda que precisei tanto estivesse aqui, na alma, estampada e de braços abertos esperando que eu a enxergue. Tudo que eu preciso está justamente onde nunca procurei. A prisão finalmente está descongelando.
Ontem eu sofria, sorria com a desgraça, sorria na própria dor e hoje não sinto minha face queimar, tudo que queimava foi embora com o vento gelado. Tudo que desejei falar foi escrito, há papeis jogados pelo chão do quarto e prefiro não mexer, por que foram as ultimas palavras que desejei falar e não repetirei as mesmas palavras.
Eu não vou voltar pra ti, passado. Desculpe mas tudo em ti está um gelo que não pretendo mais descongelar. Eu desisto de ti, desisto de ser o único desgraçado a soltar lagrimas.
Mas não desisto da felicidade por ti. Suas palavras e lembranças não mais chegarão a mim, não irá destruir os sonhos que irei construir, nem me deixar entre todos os papéis procurando respostas.
O gelo dos dias está chegando à alma como se fosse levar tudo de mim, faz frio e já não tenho nada, eu vou te esquecer. Hoje estou levantando o pé para dar o primeiro passo pra seguir em frente. Você não irá me destruir mais.
Mas se eu quiser voltar, não conseguirei quebrar o gelo sem te machucar.


“E assim eu enterro tudo que eu puder amar no seu jardim já que as flores não nasceram desde que você se foi... e só de ver posso sentir toda a dor de sofrer de morrer, o espinho dessa flor que eu mereço receber de ti que já levou tudo que eu tinha pra te dar... Mas nunca se lembrou que devia devolver meu coração.”

Paula Borges 29-10-2010

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